Foi apresentada como "the queen". Aretha Franklin entrou de vestido de cauda, creme com brilhantes, um colar de pêlo branco ao pescoço. O cabelo curto e escuro (ufa... o loiro ficava-lhe mal). Talvez menos gorda um bocadinho, mas still gorda. As mamas podem servir de travesseiro a qualquer um. Entrou a matar: Respect a abrir. Whip it to me. A senhora mexe. O que é something, aos 66 anos.
Já arfa, claro. E tem de fazer uma pausa a meio - as divas também fazem chichi. Aliás, logo à segunda música, depois de ter pedido para desligarem o ar condicionado, saiu do palco a dizer que ia descobrir onde se desligava o ar, por causa da garganta. Na plateia, já tinham ouvido aquilo. "Ela não gosta de ar... Nunca canta com ar..." Mas ela voltou e prometeu dar o litro para compensar "o dinheiro a mais" que as pessoas pagaram para ali estar.
O Constitutional Hall deve ter a lotação do Coliseu e estava meio cheio. Claro que a malta dos lugares baratinhos (80 dólares, ainda assim) usurpou os melhores lugares por ocupar logo ao início. Me included. Primeiro num dos camarotes, que aqui não são fechados. E depois mesmo corredor fora até lá à frente. Acabei a bater palmas freneticamente como se numa missa de gospel (saudades do Harlem). Que subiram de tom (muito imparcial...) quando, finalmente, depois de hora e meia sem nenhuma alusão a Obama (verdade que em DC não é preciso muito esforço para convencer os 60 por cento de afro-americanos, como são por aqui chamados, a votarem no homem), Aretha saiu do palco e voltou para se despedir das gentes com um boné enfiado na cabeça. Onde se lia: Obama 2008! E atirou-o ao público. Loucura total. Black power is in the house. Aliás, na house estava a black community em peso.
Aretha tem um disco novo, do qual distribuiu exemplares. E outro na quelha. Tem uma senhora voz, principalmente para as brincadeiras do sobe e desce de tom, e para as baladas... Ao piano, descalça-se. Chain of Fools e uma plateia inteira em pé. Still Water e o mundo parou. Uma piada sobre Muhammad Ali (que já foi Cassius Clay). O boxeur recusou-se a pôr o cinto no avião, alegando que não precisava porque tinha o super-homem dentro do corpo. Ao que a hospedeira respondeu: 'o super-homem não anda de avião e, se andasse, também punha o cinto.' Outra piada sobre uma amiga que lhe ligou a dizer para ela ter cuidado com os hotéis em DC porque da última vez que cá esteve encontrou um homem no quarto e logo apareceu também a polícia. Mas ela pediu para o virem buscar só na manhã seguinte...
Mas genial, genial... foi o momento em que Aretha fez uma versão da sua música preferida para fazer exercício: Touch My Body, de Mariah Carey. What you start on the floor, you have to finish on the floor. Ousada, a senhora. Mão desafiante no rabo e dedo a escorregar pelo gigantesco seio também fazem parte da performance da queen. A dada altura reclamou por um DC brother que lhe massajasse os pés. A senhora acha que é sexy, e ainda bem.
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2 comentários:
És a maior!
Beijinhos
Susa
cabra... ver essa senhora é um must! deve ter sido um senhor espectaculo. Agora, se calhar, consegues perceber o poder da voz nas igrejas IURD e companhias. Conseguem mesmo hipnotizar e pôr em transe qualquer um menos precavido. Mas não confundamos a Aretha com os reles mercenários religiosos da iurd ;)
beijos grandes do primo da moita.
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