Além disso, há poucas coisas de que goste mais do que ser desviada do meu caminho (ou daquilo que eu pensava ser o meu caminho). Ou seja, gosto de imprevistos. E o Tony aparecer-me a frente, com o seu fato mórmon-upper-class e o olhar meio esgazeado de quem descobriu a verdade e toda a verdade e nada mais do que a verdade e de repente fica com um sorriso estúpido para o resto da vida, foi um imprevisto.
Barram-me o caminho e eu paro para escutar. Igreja da Cientologia. Tom Cruise (eu sei que há mais, mas este há-de vir-me sempre à cabeça, ou talvez a outra parte do corpo, em primeiro lugar, porque pode fazer muita estupidez na vida que há-de ser o meu ídolo de adolescente para toda a vida como só os adolescentes sabem ser). Why not? Vamos lá ouvir esse filme proselitista. O Tony, grego, apresenta-me à Sheila, loura platinada com o mesmo sorriso estúpido. Antes ainda diz que a cabeça é mais do que uma "bunch" de composto químicos. Muito mais interessante do que saber de que é composta a mente, é saber o que ela pode fazer. T-a-r-a-r-a-r-a-r-a-r-a (a musicar como os x-files).
Sente-se no sofá, por favor. Às florinhas, tipo cortinados antigos. Aliás, tudo às florinhas e aos estampados campestres. E alcatifa... brrrrrr... E uma mosca... Que nojo. Será que veio da mente de alguém? A Sheila a cada frase metia um elogio ao fundador da Cientologia, L. Ron Hubbard (há por aí um escritor nos escaparates das livrarias com um nome muito parecido). Que tinha um gabinete pessoal em cada templo de Cientologia. Desde que ele morreu, em 1986, fechados e inviolados.O filme, Dianética, é sobre o mais recente livro de Hubbard, que já morreu faz 20 anos mas continua a escrever best-sellers sobre a mente, essa desvairada que não pára de nos surpreender e dá pano para mangas, ou para livrinhos.
O Tony já me tinha avisado que o filme, e o livro, existiam em português, mas pensava que era do Brasil. Nada disso, tuga mesmo. Weird, dado que a Cientologia mais perto fica em Espanha. E esperemos que assim continue, não vão os senhores da IURD ficar sem emprego neste tempo de crise...
O filme. Por que é que as pessoas fazem coisas sem sentido? Bom resumo, Sheila. Também gostava de saber. Mas tenho cá para mim, com o passar dos anos, que é melhor viver do que perder tempo a encontrar explicações.
Então mas e agora o que querem de mim, digam lá... A Sheila queria fazer-me um teste de stress, ou então um de personalidade, ou ainda um de QI (sabe que pode aumentá-lo? e quem lhe disse que queria, pensei eu?). Eu lá fui dizendo que não valia a pena mas que gostava muito de ver o resto do edifício. Não sei se estava à espera de encontrar o Tom, talvez numa cena tipo Eyes Wide Shut... Talvez para a próxima visita.
Fiquei a saber que o senhor Hubbard inventou o 'meter', abreviatura carinhosa para electropsychometer (pena não ser psychokiller), que encontra áreas da mente que poderão causar problemas. E resolve-os mesmo antes de existirem. Diz a Sheila que a Cientologia tem "tens of millions" de adeptos. Muito exacta esta malta adepta da mente e seus derivados.

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