domingo, 26 de outubro de 2008

Poesia por Obama




Hoje, poetas declamaram por Obama, entre quadros de artistas também eles pró-candidato democrata. A iniciativa decorreu no Busboys&Poets, que se apresenta como um local de confraternização pela paz e pela justiça social, mas é também um restaurante-livraria que cede espaço aos mais variados eventos (www.busboysandpoets.com).
À entrada eram cobrados 20 dólares e em cima de uma mesa estava toda a parafernália pró-democratas que ainda podia aumentar a caixade Obama.
Acompanhada por um senhor ao batuque, Sistah Joy, uma das organizadoras, insistiu, sincopadamente, no slogan 'yes, we can', antes de lhe acrescentar qualquer coisa do tipo: melhorar o sistema educativo, promover a protecção na doença, aumentar a justiça social...
"Can America change? Yes, it can!", garantiu, antes de passar a palavra ao co-organizador Brenardo, que partilhou com as três dezenas de pessoas espalhadas pelos sofás do primeiro piso do Busboys&Poets a alegria que sentiu ao terminar a leitura de Dreams from My Father (livro escrito por Barack Obama): "This dude is real, man!"
Ao meu lado, uma senhora acabada de chegar perguntava-me "How are you today, sweatheart?" e eu pensava 'mas por que é que esta gente é tão simpática???' Primeiro foi a camisola, noutro dia foi as botas. "I like your shoes!" Assim, um grito, no metro. O que é suposto responder-se a isto? Eu também gosto dos teus? Os teus são horrorosos e, portanto, é normal que gostes dos meus? Vai comprar uns então? E agora sweatheart... Vá lá que não começam aos beijinhos...
Anyway, seguiu-se Mike Maggio, dos muito poucos 'non-African Americans' presentes, com um poema aos "irmãos iraquianos", do seu mais recente trabalho, deMockracy (sic), no qual critica a Administração Bush pela ofensiva contra o Iraque e lembra como alguns democratas foram acusados de "traidores" por terem questionado as "provas" que a sustentaram.
"É um momento maravilhoso para mim poder estar aqui, perto de eleger o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos", disse Ty Gray-El, muito aplaudido por todos. Voto é poder, lembrou o poeta, declamando um texto seu sobre a importância da "pequena caminhada até à urna".
Mas a interpretação mais emotiva veio de Jason Reynolds, com frases em catadupa, em ritmo acelerado, sobre o assassinato de um amigo seu, há quatro anos - a raça, os jovens, o futuro. Reynolds, afro-americano de uma geração de poetas mais jovem do que os anteriores, não escondeu estar "orgulhoso" de, pela primeira vez, poder vir a olhar para um Presidente que se parece com ele. Obama, acredita, servirá de modelo aos jovens negros, mostrando-lhes que, se trabalharem "arduamente", não acabarão a "vender drogas".
A sessão terminou com a leitura de Owen, de doze anos e aluno de Sistah Joy, que revelou os traumas de uma criança resultantes dos atentados de 11 de Setembro de 2001.
No final, e após uma certa deusificação de Obama e muitos "aleluias", havia um bolo branco, vermelho e azul e champagne para todos.

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