sexta-feira, 24 de outubro de 2008

The only caucasian





Hoje fui até ao Bronx cá do sítio. Menos hardcore do que o verdadeiro. Em Anacostia, onde não me cruzei com um único caucasian, ninguém tinha um ar feliz. Os homens ocupavam as esquinas das ruas em conversas arrastadas. Todos com bonés, todos com blusões desportivos, todos com calças a caírem pelo cu abaixo, todos com sapatilhas. Novos e velhos. Uma mulher e um homem gritavam um com o outro no meio da rua.
Anacostia fica no cimo da colina, com uma vista fantástica sobre o Washington Monument (aquele obelisco que aparece nas fotos) e o Capitólio (o Parlamento). É um sítio histórico para a comunidade negra e algumas das casas são verdadeiras pérolas. Mas fica em Southeast, e tudo o que é Este é esquecido. Diz que não se pode ir lá à noite. Eu acredito. Mas de dia é só um sítio um bocadinho deprimente. Suburbano.
O Center for African American History and Culture (um dos Smithsonian) fica em Anascotia (gostei do conceito dos museus nos sítios onde as comunidades vivem - querem saber como é? então venham ate cá um bocadinho, fáxabor).
Não é um museu excepcional, muda de exposição de seis em seis meses. Mas tinha coisas giras. Um filme com ex-jogadores de baseball da Negro League - a segregação também chegou ao desporto. They played for the love of the game. E a história do go-go, estilo de música que mistura o funk com o hip-hop e que só se ouve no District of Columbia (o primeiro a ilegalizar a escravatura, pela mão do Presidente 'negro' Abraham Lincoln). O go-go é, dizem os entendidos, o resultado da combinação do 'call-and-response' das igrejas afro-americanas e de uma série de instrumentos de percussão. "Go-go is the community. The people are go-go. The music is just part of our soundtrack."
Onde se pode ouvir, perguntei eu? Nas street corners, disse-me a recepcionista do museu. Não tive essa sorte. Apesar de ter decidido fazer o percurso inverso para a estação de metro/autocarro a pé, mesmo depois de me terem dito que não era uma 'walking distance'. Aqui nada é uma 'walking distance' e por isso é que eles pesam o que pesam...
Depois, em vez de me meter no metro, optei pelo autocarro. Os transportes colectivos são museus vivos a preços acessíveis. E o autocarro tem uma vista melhor. Fiz um percurso de uma hora, passei por tudo o que era bairro, cruzei o centro da cidade e outra vez pelos bairros do outro lado... Não entrou nenhum branco: uma indian-american, uma mexicana. Durante uma hora, I was the only caucasian in the bus. Elas saíam do trabalho com as crianças atreladas, dar de biberão, sit down, não chores... E eles, onde andarão?

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