quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Goodbye Chicago, hello New York



Pois é, tão depressa pus os pés em Chicago como de lá saí... Não foi por mal, até gostava de ter ficado mais tempo. Mas havia esta hipótese de rever New York e não se pode dizer que não à cidade que nunca dorme. Principalmente quando se tem uma casa - a partir de amanhã só para mim!!! - na East 36th Street, perto do Empire State Building. Há que escolher bem os amigos novos que se faz.
Anyway, não quero começar a gozar a Big Apple sem antes deixar umas palavras sobre Chicago. Que traduzem sensações fugazes, porque na verdade não tive tempo para sentir o pulsar da cidade - mas a reacção colectiva à consagração de Obama cravou-me para sempre a imagem de uma cidade orgulhosa.
Chicago é superlativa. Os arranha-céus - que são mais fura-céus - têm aqui o seu apogeu. Para os architecture-lovers (diz que há alguns a lerem-me), isto é o paraíso. Para quem gosta de cidades mais pessoais, é assustador. Cada coisa daquelas deve levar uns 30 apartamentos por piso em cada uma das centenas de andares. A mim não me apanhavam a viver assim no alto, sujeita a um aviãozito comandado por um qualquer fanático.
Eu é mais casinha com alpendre e jardim à frente, como há muitas nos bairros étnicos de Chicago. Mesmo nas streets hundreds de Roseland, a murder town ou WaWa land (wild, wild), as construções não têm aquele ar de bairro social que as nossas têm.
Mas não é pêra doce viver ali - que o digam os cem putos que foram assassinados a tiro na rua nos últimos dois anos (há um memorial com os seus nomes, na foto). E assim faço a segunda apreciação à flor da pele: Chicago é uma cidade violenta e mafiosa - onde nunca me senti totalmente confortável (talvez porque quando cheguei à WaWa land, o Phillip Jackson fez questão de me mostrar a rua onde latinos e negros se matam diariamente). É uma cidade segregada, com pouca mistura, muito guetizada. Daí o orgulho por um Presidente que se fez em Chicago - e que representa os mais pobres, os mais discriminados, os mais excluídos socialmente. Ele sabe que não é fácil viver-se ali.
E depois há o lago Michigan, do qual nem se vê o fim, e o Navy Pier. E uma estrada à borda de água que atravessa os arranha-céus - e é pôr a cabeça de fora da janela e suster a respiração enquanto se olha para cima. É giro de ver, mas não para viver.

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