sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O susto e a surpresa

Ontem andei todo o dia pelas montanhas, de pueblo em pueblo. Cheguei de noite a San Cristóbal de Las Casas e havia um teatro sobre a vida de um chefe maia, muito sonoro e visual. Queria ir mas nao tinha muito tempo para comer, de modos que fui ao El Caldero, que o Lonely Planet identifica como um sítio para comer sopas substanciais. E assim era, de facto. E rápido. Enquanto esperava, dois miúdos minúsculos e andrajosos ocuparam-me a mesa com os seus animais feitos de barro que eles próprios faziam. Só custavam 70 centimos cada um e 6 saíram a 50 pesos. Eu só tinha 200 pesos e fui trocar ao balcao, onde estava a dona da tasca. Eles partiram, eu comi e corri para o teatro. No meio disto tudo, deixei de ter 500 pesos - cerca de 35 euros! Reparei quando já estava no teatro e tirei o dinheiro para o bilhete. Fiz rewind e das duas uma: ou os tinha perdido (mas como, se estavam num saco com fecho?) ou os putos mos tinham tirado enquanto eu trocava a outra nota. Fiquei chateada, mas rapidamente concluí que é daquelas coisas que acontecem a quem viaja. De todas as formas, voltei ao El Caldero ontem à noite. Estava fechado - e eu já nos grandes filmes, queres ver que os putos estavam orquestrados com o restaurante e ficaram tao contentes com os meus 500 pesos que agora até fecharam? Voltei lá hoje, anyway. Fiz bem. Estavam lá. Aliás, estava lá o troco - eu paguei com os 500 e pensava que tinha dado 50! Eu sei... cabecinha de alho chocho... De todas as formas, o terem-me guardado o troco faz com que admire mais o país. E com que tenha uma história para contar.

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