terça-feira, 4 de novembro de 2008

Elisabeth

A minha host é uma querida. Mommy-style. Muito preocupada - tens fome, o que comes ao pequeno-almoço, para onde precisas de ir amanhã, é melhor arranjar alguém para te acompanhar...
Elisabeth tem alergia a tudo o que é cena e, portanto, só come comida orgânica (ficou aliviada quando lhe disse que não gosto de junk food). Fomos a um tailandês jantar e, antes do pedido, foi um disparar de perguntas -tem isto, tem aquilo, de certeza?
É uma velha hippie, mantendo aquele ar jovem típico dos hippies. Feminista da velha guarda (lord is great!), dois abortos antes dos 20, mãe solteira uns anos mais tarde, um filho de 35 anos com quatro putos já, relações a dupli e triplicar de cada vez, descobriu há dois anos que andava com muitos gajos porque, na verdade, andava à procura das pessoas erradas e só juntando alguns é que tinha o que queria. Descobriu que o que procurava num homem era que fosse kind, generous, universal, open-minded - e nenhum dos muitos com que dormia era. Afinal, ele estava mesmo debaixo do seu olho, no mesmo prédio, e tomava-lhe conta dos gatos (não sobrou nenhum) quando ela precisava de sair. "Não temos nada em comum, ele nem sequer lê." Elisabeth é uma mulher cultíssima, que adora conversar e debater todo o tipo de tópicos. Richard levantou-se da cama para me vir dizer olá mas voltou logo para lá. É mais velho, já teve dois ataques cardíacos, tem cancro na próstata, mas tem um personal gym montado em casa (um loft espectacular, quase todo em open space, janelas do chão ao tecto). Esta será a minha casa por três noites e, meus amigos, nós não somos nada hospitaleiros comparados com esta malta - quem é que aí ainda abre as portas de casa a uma total desconhecida?

2 comentários:

R. disse...

Os cabo-verdianos fazem isso também. Estão habituados a acolher o seu povo ou os amigos do seu povo em qualquer parte do mundo..é lindo!

Bravo disse...

O que é que tu querias com esse tamanho todo?
Um abraço
Julio Marques